Como auditar seu rastreamento numa tarde
Seis medições, todas do seu lado, todas em uma tarde. Elas dizem se o problema é coleta, envio ou definição — e evitam trocar de ferramenta por causa de um defeito que a nova também vai ter.

Quase toda troca de ferramenta de rastreamento começa com a mesma frase: os números não batem. É uma frase verdadeira e inútil, porque ela não diz onde a coisa quebrou. Trocar de ferramenta sem saber onde quebrou costuma reproduzir o defeito com outra marca.
As seis medições abaixo respondem essa pergunta. Nenhuma delas depende de acesso privilegiado, de fornecedor nenhum ou de esperar o próximo ciclo de campanha.
1. A cobertura de parâmetro no que foi entregue
Nos eventos que saíram nos últimos sete dias, que porcentagem levou e-mail, telefone, o cookie do clique e o seu identificador da pessoa. Não é o que o payload poderia levar: é o que saiu.
Se o e-mail está abaixo de 50% num evento de compra, pare aqui — esse é o gargalo, e nada depois vai compensar.
2. O mesmo pedido chegando duas vezes
Conte pedidos distintos e linhas enviadas no mesmo período. Se as linhas superam os pedidos, você está mandando a mesma venda mais de uma vez.
A causa costuma ser conhecida quando você olha: o webhook do checkout entrega a venda em tempo real, e a sincronização de histórico entrega de novo, de hora em hora. Num caso que medimos, quase metade dos eventos de pessoa emitidos numa semana eram reescrita byte a byte do que já tinha sido emitido.
Sem deduplicação por identidade de negócio — número do pedido, id da transação —, cobertura dupla vira contagem dupla.
3. O que sobe e não deveria
Liste os estados presentes nos eventos que você mandou como conversão. A lista costuma ser mais longa do que a esperada.
Boleto emitido, PIX gerado, PIX expirado, compra em disputa e reembolso não são venda. Cada um que sobe ensina a campanha a procurar mais gente parecida com quem não pagou.
4. A defasagem entre acontecer e ser enviado
Compare o instante do evento com o instante do envio. Alguns segundos é o normal e não muda nada. Dias significa que você está mandando venda antiga em reprocesso — e o Meta recusa evento com mais de sete dias, então parte do que você acha que enviou não existe do lado de lá.
5. Quantos visitantes viram alguém
Esta é a medição mais desconfortável e a mais reveladora. Na página de captura, quantos visitantes distintos existem, e quantos deles têm um e-mail ligado.
Numa página que medimos, 96% dos visitantes eram anônimos ao longo do mês inteiro. Não é defeito de ferramenta: é que o e-mail só gruda quando a pessoa preenche o formulário, ou quando o identificador da sessão sobrevive até o checkout. Saber esse número muda a expectativa sobre tudo que vem depois.
6. O teste do caixa
Some as vendas do período no seu extrato e compare com o que a plataforma de anúncios credita. Elas nunca vão bater, e não deveriam: a plataforma credita o que ela consegue atribuir dentro da janela dela.
O que importa é o tamanho da diferença e a direção. Se a plataforma credita mais do que o caixa, você tem contagem dupla ou está mandando evento que não é venda. Se credita muito menos, é pareamento — volte para a medição 1.
Como ler o resultado
| Sintoma | Onde está o problema | O que fazer |
|---|---|---|
| E-mail baixo, sem duplicata | Coleta | Captura no formulário e sobrevivência da identidade até o checkout |
| Linhas acima de pedidos | Envio | Deduplicar por identidade de negócio |
| Estados de não-venda subindo | Filtro | Recortar por status antes de enviar |
| Defasagem de dias | Reprocesso | Não reenviar histórico como conversão |
| Tudo certo e ainda não bate | Definição | Alinhar o que conta como venda e o que é renovação |
A última linha é a mais comum depois que as outras quatro estão resolvidas — e é a única que não se conserta com engenharia. Ela se conserta escrevendo a definição.
No CrazyLeads essas seis medições são telas, não consultas: cobertura por parâmetro, auditoria do payload entregue, estados presentes no filtro do envio e a comparação entre o que foi entregue e o que a fonte registrou.