O identificador que não chega ao checkout
Você marca a visita, a pessoa compra, e a venda chega sem o marcador. Medimos duas causas diferentes em contas reais — e as duas se resolvem mudando uma coisa só na montagem do link.

Quem vende por checkout de terceiro conhece o problema: a visita é rastreada direitinho, a pessoa compra, e a venda chega ao seu sistema sem nenhuma pista de onde ela veio. O caminho existe — a maior parte dos checkouts aceita um campo livre de rastreamento que volta no webhook —, mas ele falha em silêncio de duas maneiras.
As duas foram medidas em contas reais, e nenhuma delas aparece em relatório nenhum. Você só descobre contando.
Causa 1: o campo é cortado, e o seu marcador está no fim
Numa conta com 2.819 vendas aprovadas em trinta dias, o marcador de sessão aparecia em 1.708 delas. Parecia razoável, até olhar o conteúdo: só 753 traziam o identificador inteiro. Outras 786 chegavam com exatos 34 caracteres do que deveria ter 36.
O detalhe que fecha o diagnóstico: nessas 786, o campo de rastreamento tinha comprimento 283 — o mesmo valor no mínimo e no máximo. Comprimento fixo em centenas de linhas não é coincidência, é teto. O checkout trunca o campo, e o que estava no fim morre.
Não é perda aleatória. É perda posicional: quem está no fim da string é sempre o primeiro a ser cortado.
O template de rastreamento típico monta as UTMs primeiro e o identificador de sessão por último, porque foi ele o último a ser adicionado. Somando nomes de campanha longos, o teto chega antes do fim — e mais da metade dos marcadores presentes chegava ilegível.
O conserto
Mover o identificador de sessão para o começo do campo. É uma linha na montagem do link de checkout, e ela muda quem é sacrificado no corte: passa a ser a cauda das UTMs, que você já tem por outros caminhos, em vez da chave que liga a venda à visita.
Causa 2: o marcador nunca foi colocado
Na mesma plataforma, outra campanha do mesmo grupo tinha 145 vendas aprovadas, todas com o campo de rastreamento preenchido, e zero com o marcador de sessão. O campo mais longo tinha 250 caracteres — bem abaixo do teto.
Aqui não houve corte. O template simplesmente nunca incluiu o identificador: montava conversão, campanha, conteúdo, origem, mídia, termo e caminho da página, e parava aí.
A lição prática é que as duas causas exigem diagnósticos diferentes, e confundir uma com a outra faz perder semanas. O discriminador é o comprimento: se as linhas sem marcador batem no mesmo comprimento, é corte; se são curtas e variadas, é ausência.
A conferência que separa as duas em uma consulta
SELECT
position(tracking, 'cl_ussid') > 0 AS tem_marcador,
count() AS vendas,
min(length(tracking)) AS menor,
max(length(tracking)) AS maior
FROM vendas_aprovadas
WHERE dia >= today() - 30
GROUP BY tem_marcadorMenor igual a maior nas linhas sem marcador é a assinatura do teto. Comprimentos variados e todos abaixo de um limite conhecido é a assinatura da ausência.
Por que isso importa mais do que parece
Existe um caminho alternativo de atribuição que não depende do marcador: casar a venda com a pessoa pelo e-mail do comprador, contra o grafo de identidade. Ele funciona, e é ele que segura o resultado quando o marcador falha.
Mas ele tem um teto próprio: só alcança quem já tinha e-mail conhecido antes da compra. Numa das contas medidas, 92,4% dos compradores existiam como pessoa conhecida no grafo — número bom, e ainda assim não é 100%. O marcador é o caminho determinístico; o e-mail é a rede de segurança.
- Marcador presente e inteiro: atribuição direta, sem ambiguidade.
- Marcador ausente e e-mail conhecido: atribuição por identidade, muito boa e não perfeita.
- Nenhum dos dois: a venda entra no caixa e não entra em relatório de origem nenhum.
A terceira linha é a que some das discussões, porque ela não aparece como erro: o faturamento está lá, certinho. Só a origem sumiu.
No CrazyLeads o marcador de sessão é injetado nos links de checkout pelo próprio pixel, e a atribuição usa os dois caminhos — o determinístico primeiro, a identidade como rede —, com a contagem de qual deles explicou cada venda visível na tela.