A janela de atribuição e o seu ciclo de venda
A plataforma credita o que fecha dentro da janela dela. Se o seu ciclo é mais longo, parte do resultado some do painel — e a medição de quanto some é uma consulta só.

Toda plataforma de anúncio credita conversão dentro de uma janela: sete dias após o clique, um dia após a visualização, no padrão do Meta. É uma escolha razoável e arbitrária — e ela só é um problema quando o seu ciclo de venda não cabe nela.
A pergunta útil não é se a janela é justa. É quanto do seu resultado fica de fora dela, e isso é medível.
Medindo o seu próprio ciclo
Pegue as vendas do último período e, para cada uma, a distância em dias até o primeiro contato ou o clique de origem. A distribuição responde tudo.
Num negócio que medimos, do primeiro contato comercial até a compra: 44,2% no mesmo dia, 19,5% em um dia, 15,6% entre dois e três dias, 13% de quatro a sete, e 7,8% entre oito e quatorze dias. Somando, 92,2% fechavam dentro dos sete dias — e cerca de 8% escapavam.
No mesmo negócio, medindo do clique no anúncio até a compra, a distribuição era mais espalhada: 32,8% no mesmo dia, 23% em um dia, 21,3% em dois a três, 9,8% de quatro a sete, e 13,1% em oito dias ou mais, com casos de vinte e cinco e trinta e um dias. Média de 4,1 dias.
As duas distribuições são do mesmo negócio e contam histórias diferentes. A distância do clique é sempre maior que a distância do contato — e é a do clique que a janela da plataforma mede.
O cuidado que evita uma conclusão errada
Existe um viés que engana quase todo mundo na primeira medição: você só consegue observar o que já teve tempo de acontecer. Se o seu histórico começa há três semanas, uma venda que levaria quarenta dias ainda não aconteceu, e portanto não está na conta.
Isso significa que o percentual que você mede como "fora da janela" é um piso, não um teto. Com histórico curto, ele sempre parece menor do que é.
O que a janela realmente decide
Vale entender o que muda quando uma venda cai fora. Ela não some do seu faturamento — ela some do crédito daquela campanha. O dinheiro entrou; a informação de origem é que não chegou à plataforma a tempo de ela aprender com aquilo.
A consequência prática é que o custo por venda que aparece no painel é sempre pessimista para negócios de ciclo longo, e o retorno também. Cortar verba com base nesse número é cortar sobre uma medição incompleta, e o corte se justifica sozinho depois — menos verba, menos venda, número pior.
Um detalhe que muda a leitura de último clique
Existe um padrão comum em negócios com time comercial: o anúncio traz a pessoa, o comercial conversa por WhatsApp e manda o link de pagamento. Esse link não passa pelas páginas com parâmetro de campanha, então não gera um toque novo.
O resultado é que o crédito fica num clique antigo, às vezes de semanas antes. Não é erro de medição: é a natureza do último clique. Ele descreve por onde a pessoa entrou, não quem fechou a venda.
Confundir as duas coisas leva a decisões estranhas, como cortar a campanha que traz gente porque "quem fecha é o comercial" — quando é a campanha que colocou a pessoa na conversa.
O que fazer com o número
- Meça a sua distribuição antes de discutir a janela. Sem ela, a conversa é opinião.
- Compare crédito da plataforma com o caixa no mesmo período, e olhe o tamanho da lacuna, não só o retorno.
- Se boa parte fecha fora dos sete dias, considere otimizar por um evento mais cedo no funil — conversa iniciada, por exemplo — em vez de esperar a compra caber na janela.
- Ao ler o painel, lembre que ele mede origem, não mérito de fechamento.
No CrazyLeads a distância entre o primeiro toque e a venda é uma consulta sobre o histórico da própria pessoa — e o relatório mostra tanto o que a plataforma creditou quanto o que o seu registro diz, lado a lado.